Um banho de axé!

” (…) Vovó Maria me ensinou
Eu aprendi a preparar
Um banho de rosas brancas pra clarear
Vovó Maria me ensinou

Que é muito bom, muito legal
Tomar um banho de ervas
Tomar um banho de sal (…)”

Dificilmente se encontra uma pessoa que nunca tomou sequer um banho de ervas na vida.

O banho de ervas é um dos fundamentos e elementos de trabalho mais importantes da Umbanda e possui diversas aplicações, que vão de uma limpeza profunda e restauradora à tratamentos e curas das mais complexas.

Banhar-se com ervas perfumadas, curativas é um hábito que vai muito além de ser um elemento da Umbanda e dos cultos de nação. Presente em nossa cultura e sabedoria popular e repassado de geração em geração pela tradição oral, o conhecimento tradicional sobre as propriedades benéficas das ervas, pode-se dizer, é um conhecimento universal.

Nas culturas tradicionais, pode ser encontrado dentre nossos nativos brasileiros, cujas tradições quanto ao uso medicinal e ritualístico das ervas foi elevado um conjunto muito complexo de conhecimentos; Igualmente se encontram estas referências nos conhecimentos tradicionais dos povos africanos e na sabedoria antiga humana em geral.

Colher e utilizar-se das ervas – e da flora, em geral – é a maneira mais simples de contato do ser humano com a natureza, é a interação primordial com a paisagem natural e com os recursos por ela oferecidos, que permitem seu uso como vestimenta, alimento, abrigo, medicação e tantos quantos forem os usos possíveis.

Para a maioria das tradições da Umbanda, o culto à natureza e ás suas forças está no cerne de todo o fundamento do trabalho realizado.

É ali na natureza, junto às matas, pedreiras, rios, cascatas, ao vento, nas praias, que os médiuns se conectam com a espiritualidade e de onde nossos Guias e Mestres retiram energias vitais e puras para a aplicação em seus trabalhos.

A natureza – enquanto for preservada – é uma fonte inesgotável de energias e recursos para os trabalhos do astral e para os trabalhos mediúnicos pois, se por um lado, nós médiuns nos utilizamos dos elementos físicos da natureza, a espiritualidade, em suas muitas formas de atuação, também se utiliza dos eflúvios da natureza para trabalhar.

Sã inúmeros os relatos de grandes caravanas de espíritos recém-desencarnados, conduzidos por Pretos Velhos, Caboclos, Exus, dentre outros trabalhadores, que sã levados a cachoeiras e à praia para serem banhados pelas águas benditas e sagradas daqueles locais, por conta da gigantesca energia que carregam.

E não é diferente em relação ás plantas e ervas, que são largamente utilizados para os trabalhos em terra e no astral.

As plantas são seres vivos e, a exemplo das pessoas e animais, que carregam aliados à sua matérias os corpos sutis e energéticos, as plantas, à sua maneira, também possuem atrelados a si uma existência mais sutil e carregada de energias.

Elas possuem um elemento etéreo chamado “fitoplasma” ou “bioplasma”, que equivale ao “ectoplasma” liberado por nós humanos, e que consiste em uma energia densa e dotada da capacidade de aproximar as energias sutis de nossos Guias aos nossos corpos densos.

Quando se prepara um adequadamente um banho, estão sendo utilizadas todas as propriedades, tanto físicas quanto energéticas e espirituais das plantas utilizadas e, em especial, fica este banho repleto de “fitoplasma” e de muito energia, de muito axé.

Ao se colher uma planta, se está ceifando sua vida, por esta razão é de extrema importância o respeito e o cuidado com as plantas utilizadas nos banhos – e  em todos os trabalhos.

Para que o banho esteja repleto de axé e carregado com todas as energias benditas, é importante ter gratidão por aquela planta que lhe cedeu sua vida e sua energia, sempre pedindo permissão para colher e agradecendo pela vida e pelo axé que lhe foi dado.

Após colhida, deve ser manuseada com respeito, pois a partir de então, trata-se de algo sagrado e no momento em que for se transformar em um banho, ser delicadamente deitada à água, para que a purifique e a carregue com toda sua cor, perfume e energias, tornando o banho uma verdadeira explosão do axé sobre o corpo de quem o recebe.

Receber um banho de ervas é muito mais do que perfumar o corpo ou se descarregar de qualquer energia em desarmonia, pois um banho bem preparado pode promover o equilíbrio de todos os chakras, alinhando-os e reenergizando todo o corpo, desfazendo miasmas, limpando formas energéticas negativas, quebrando trabalhos e obsessões, sendo um grande aliado no atendimento e socorro às necessidades dos assistidos e dos próprios médiuns.

Há todo um universo e muitos fundamentos em cada gota de uma banho derramado sobre sua cabeça.

Axé!

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