2018 é ano de Exu, Xangô e Iansã… E como isso me afeta?

Há quase unanimidade tanto entre as chamadas casas matriz de candomblé, quanto dentre os diversos terreiros  de Umbanda e seus sacerdotes de que o ano de 2018 será regido pelos Orixás Exu, Iansã e Xangô.
Diante disto, vemos informações das mais variadas fontes sobre quais serão as características deste novo ano, bem como sobre tudo que pode ou não acontecer.

Acreditamos que todas as leituras são respeitáveis e, de algum modo, complementares, pois cada ilê, cada terreiro e cada pessoa que se dispôs a interpretar esta informação trás ao claro suas impressões e leituras, baseadas em suas vivências, estudos e intuições.

Sendo assim, nossa intenção não é – e nem poderia ser – a de ser terminativo ou pretensamente dizer o que é certo ou errado sobre tudo que foi dito até agora, mas sim, ao contrário, somar esforços para que, juntos, possamos entender melhor a realidade na qual estamos inseridos.

Em primeiro lugar, é importante destacar que cada um de nossos Pais e Mães Orixás, apesar de suas características principais, carregam em si, cada um deles, a própria essência divina e são, como todos os seres da criação – nós inclusive – um universo em si mesmos. Ou seja, Pai Xangô, Mãe Iansã e Pai Exu não se resumem às características que atribuímos a eles, tampouco aos temas que consideremos de sua regência.

Xangô não é somente fogo e pedra e regente da justiça, tampouco Iansã não é somente ventania e Exu somente o senhor dos caminhos. São seres de altíssimas esferas, altamente evoluídos e complexos e em verdade, nossas tentativas de definí-los é sequer chega próximo da realidade.

Sendo assim, traçar a leitura sobre o ano de 2018 somente pautado por estas características principais e atribuições que concebemos nos impediria de talvez obter uma visão mais apurada e próxima do que iremos vivenciar durante este ano.

O ano de Exu

Na tradição do culto aos Orixás, Exu vem primeiro. Não se faz nada sem saudar e oferendar Exu primeiro, pedindo sua licença e sua bênção.

Alguns mitos contam que Exu é um dos primeiros Orixás, filho direto de Olorum, junto de Oxalá e Iemanjá. Ao lado dos demais Orixás primordiais, seria corresponsável pela própria criação. 

Se Oxalá e Iemanjá são a geração e a irradiação, Exu é a absorção e a neutralização. São princípios complementares. Se para abrir um estrada é necessário mover uma montanha, certamente Exu é a explosão, a dinamite. 

Exu rege a expansão, a mudança, a comunicação. Exu rege o novo, o inusitado. Proporciona as novas idéias, novos conceitos, a inovação, a mudança, o movimento.

Expansão é uma das palavras chave do ano. Porém, esta energia requer cuidados. 

A expansão é poderosa, imparável. Tudo pode ser expandido, inclusive o negativo, o destrutivo (especialmente o auto destrutivo).

Sendo assim, se por um lado, o ano será propício ao crescimento, ao movimento, à mudança, por outro lado, o descontrole, a falta de foco e a prodigalidade nos gastos, nos investimentos impulsivos, desmedidos, podem ser catastróficos.

Sendo assim, o cautela, planejamento e foco são essenciais para aproveitar bem esta energia regente e prosperar em todos os campos da vida.

O ano de Iansã

Iansã é a grande senhora dos ventos e das tempestades. Guerreira, valente, impulsiva. Se transfigura em búfalo e em ventania, faz a passagem dos mortos, levando todos aos pés de Obaluaiê. 

Mãe Iansã também rege o movimento, a mudança. É o vento que traz a tempestade, mas que também a leva embora quando tudo termina. 

A tempestade pode ser destrutiva, um vendaval pode causar muitos estragos, mas a água nutre a terra, hidrata, o vento sopra as folhas mortas para longe e abre espaço para o plantio.

A energia de Iansã é quente, atiça o fogo, mas também pode apagar qualquer chama, pois o mesmo vento que aviva a brasa, quando supra muito forte, apaga o fogo.

Um ano regido por Iansã pode proporcionar o afastamento de tudo que já não tem vida, tudo que nau presta, sejam elas pessoas tóxicas, relacionamentos infrutíferos, coisas paradas, estagnadas, podres e tudo que precisa ser movido.

Mas o mesmo vento que leva o que é ruim, também pode derrubar telhados, quando a estrutura é ruim.

Então, tudo que for conquistado e construído neste ano precisa ter bases muito sólidas, para que a ventania não sopre tudo para longe. Haverá muita força para fazer o que precisa ser feito, mas quem plantar vento certamente colherá grandes tempestades.

O ano de Xangô

Pai Xangô é o rei de Oió. Guerreiro valorozo, líder justo de seu povo e impiedoso com quem prática a injustiça ou tenta se aproveitar de algo ou alguém para obter vantagens indevidas.

Xangô preza pela eqüidade, pela proporcionalidade, pelo equilíbrio nas relações e situações e pela justiça entre as pessoas.

Toda ação na natureza gera uma reação igual ou oposta, e Pai Xangô garante que assim seja, juntamente com Exu, que dá cumprimento e proporciona que tudo se equilibre.

Retidão, determinação e obstinação também são palavras chave para Xangô, que traz estas características a tudo e a todos que rege.

Xangô é retratado como o dono das pedreiras, sendo as rochas, montanhas, rochedos e todas as formações rochosas o seu domínio.

Ou seja, a energia de Pai Xangô em muito se assemelha às suas pedreiras. Isso nos diz que a mesma energia que trás caráter, retidão, disciplina e determinação, pode levar à intransigência, à imutabilidade, ao monoideísmo e a conceitos endurecidos e frios, imutáveis e inamovíveis como as pedreiras.

Tudo dependerá de como nós direcionamos esta energia nas nossas vidas durante este ano. Sendo este um ano marcado tão fortemente pelas energias de mudança e de transformações, permanecer estagnado, empedrecido, imutável é uma escolha, talvez a pior das escolhas para este ano.

Antes de querer justiça de Xangô, precisamos buscar agir com justiça, fazer a nossa parte. 

Se buscamos o reequilíbrio das relações, a reparação das injustiças que sofremos, a compensação pelos sofrimentos, pelas noites mal dormidas, pelo trabalho exaustivo, primeiro precisamos ser gratos, reconhecer o valor do esforço que fizemos, da dor que sofremos, da nossa própria dedicação.

Somente assim todo esse esforço terá valia, todo o empenho e dedicação dentro dessa relação injusta poderá ser reparada. O sofrimento, o esgotamento enfrentado somente poderá ser compensado, ressarcido, reparado, quando formos gratos, até lá, tudo fica pendente.

O ano do fogo

Exu e Xangô são senhores do fogo, cada um a seu modo, têm em sua essência este elemento tão poderoso. Por sua vez, Iansã é também senhora do fogo, sua energia é quente, forte, e seus ventos podem direcionar as energias de Exu e Xangô.

Por tudo isso, podemos dizer que 2018 será um ano do fogo e este elemento será o motor que nos levará adiante.

O fogo é poderoso. Bem direcionado, é o nosso maior aliado, porém, tem vida própria e em segundos pode se alastrar, e os resultados podem ser catastróficos.

Devemos nos conectar com as energias deste ano sem medo, mas guardar em nossas ações muito cuidado, atenção e foco. Estas energias, bem direcionadas, nos levarão muito além em nossos projetos e aspirações, e 2018 pode der um ano muito próspero.

Porém, por estarmos trabalhando com fogo, tudo pode se descontrolar. Excessos, distrações, vícios e tudo que possa nos desviar dos objetivos certamente estará disponível e nos será colocado no caminho a todo instante e bastará um segundo de distração para que o fogo queime onde não deveria. 

O poder da vontade

De tudo que foi dito, há um detalhe muito importante e que não pode ser ignorado: Qualquer mudança em nossas vidas, qualquer resultado que se pretenda e qualquer fruto que queiramos colher depende fundamentalmente da nossa vontade e das nossas ações.

Nem a força do fogo de Exu, Xangô e Iansã pode mover alguém que não faz sua parte. Desejar a mudança apenas, sem ação, não leva a lugar nenhum.

Nossos Pais e Mães Orixás são força, energia, movimento, transformação e se queremos nos conectar a eles precisamos nos mexer!

Que a energia do fogo destrua e transmute tudo que te prende, tudo que te limita e que esse fogo acenda uma chama perpétua em sua alma, que queimará eternamente, para que a sua força esteja sempre viva!

O ano de 2018 será maravilhoso, pois você fará acontecer!

Axé!

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