Mudei de Terreiro… E agora, o que acontece com os guias que me acompanham?

Trato aqui de um tema bastante espinhoso no meio umbandista: Mudar de Terreiro e suas consequências.

Diferentemente dos meus textos habituais, onde procuro ser mais impessoal e escrever os temas como pequenos estudos, hoje decidi falar de uma forma mais aberta, expondo alguns pesamentos e impressões sobre o tema com os leitores desta página, pois acredito que assim podemos construir um diálogo benéfico a todos.

Mudar de terreiro é uma experiência pela qual estou passando neste momento e admito que ainda estou em processo de transição. Deixei a casa onde me iniciei na Umbanda e, após alguns meses afastado dos trabalhos, adentrei a uma nova casa, uma nova corrente, com a qual ainda estou me adaptando.

Mudar não precisa ser algo traumático, mas não é necessariamente um processo fácil e prazeroso, tem muito trabalho, dedicação e abdicação envolvida, mas acredito que os resultados valham à pena.

A mudança envolve, no mínimo, duas etapas: A ruptura com o velho e se abrir ao novo, e cada uma delas traz desafios que vão nos colocar à prova o tempo todo.

A primeira dela é romper com o velho, deixar o atual, mudar o status quo em que se vive. Mudar importa em se quebrar alguma coisa… Não dá pra carregar o antigo e viver o novo ao mesmo. E pode ser que nesse processo você veja algumas caras feias, mas está tudo bem.

A segunda é se abrir a uma nova realidade. E é neste ponto que a maioria de nós dança… e dança bonito, pois espera encontrar na coisa nova o que tinha na antiga, e isso não vai acontecer.

Podemos sim definir o que é de mais importante e indispensável, os valores dos quais não abrimos mão, os pontos de convergência e divergência, mas não necessariamente tudo que escolhemos vai existir nessa nova realidade. Como diz um grande Mestre, “O controle é uma ilusão”.

Mudar de terreiro é assim também. Você deixa aquele lugar que, até então, você chama de casa, onde toda semana você pisa pra comungar com seus irmãos de corrente, Guias e Orixás, onde a energia e as pessoas são familiares, você sabe como agir e como se portar, conhece a tudo e a todos e vai desbravar um mar de possibilidades em busca de algo novo.

E te conto uma coisa: Todo esse processo é incrivelmente bom e assustador, tudo ao mesmo tempo! Dá medo e frio na barriga, empolga e desanima… Mas é absolutamente normal!

Quando se fala em mudar de terreiro, a primeira dúvida que vem à mente de grande parte dos Umbandistas – até por conta de muitas ameaças e besteiras que se ouve por aí – é sobre nossa corrente, nossa egrégora pessoal e é neste momento que o médium se pergunta: “Se eu deixar este terreiro, meus guias me acompanham?”

E a resposta para isto é um sonoro sim, mesmo que muita gente te diga o contrário!

Os guias que te acompanham estão contigo por diversas razões e se aproximaram de você em momentos diferentes, trazidos até você há muito ou pouco tempo e por acordos que você fez e nem imagina mas, tem algo em comum a todos os teus guias: Todos eles trabalham com você por afinidade, nada mais.

Se a sua energia, seus pensamentos, seus conhecimentos, são incompatíveis com as de um guia – e vice-versa – ele, certamente, não se aproximará de você para compor sua corrente.

Os guias não pertencem a ninguém além deles mesmos, então, não é um terreiro ou assentamento que irá prender o guia a lugar nenhum, muito menos alguém que possa tecer qualquer tipo de ameaça de que se você quiser sair, pode ir, mas seus guias ficam. Somos livres, eles, mais ainda, pois sequer estão presos na carne. Esqueça esse medo e vire a página.

A espiritualidade é simples, econômica em seus atos e muito sábia, somos nós, em nossas limitações de seres humanos na carne que complicamos tudo. Para nós, a  mudança é difícil, até traumática, se não lidamos bem com ela, para eles, na espiritualidade, tudo é normal, tranquilo e está sempre certo.

Quando você se dispõe a mudar e pede o auxílio deles neste processo, pede ao Universo que te proporcione a mudança e que nossos irmãos espirituais encaminhem este pedido, tudo se amolda e, no momento certo, tudo vem à tona. E certamente, quando você “escolher” o caminho novo, se você se abriu de coração a essa nova realidade, tenha certeza de que muito antes da sua escolha, eles já acertaram tudo e fizeram toda a preparação.

Superado o medo de “perder” sua corrente por conta da mudança, faço apenas uma advertência: Se for mudar de terreiro, mude pelas razões certas, não por um capricho seu, indisciplina ou birra. Saia como quem sai da casa dos pais em busca de construir a própria vida, saia para crescer e aprender e não para se diminuir em suas próprias limitações auto-impostas.

Saia para ver o mundo, viver o novo e crescer, saia para ser mais feliz, aprender, fazer mais por si mesmo e pelos outros, saia para viver.

Que os bons guias te acompanhem em todos os seus passos e se, no fim das contas, o caminho que se apresentar for o da mudança, saia de cabeça erguida, coração aberto e repleto de gratidão por todo seu aprendizado, seja grato por tudo.

Deixa de ter medo, e seja feliz.

Axé!

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