Minha história na Umbanda com D. Cigana Sete Saias


Demorei bastante tempo para tomar a decisão de contar para vocês a minha história no começo da Umbanda
Com muitos devem saber eu trabalhei muitos anos na casa de São Lázaro. No entanto eu vim de outro terreiro, muito muito pequeno.
Éramos apenas dois médiuns e uma mãe. O terreiro era a sala da casa de um deles, o congá eram duas espadas de São Jorge cruzadas do lado da porta, uma vela branca e um copo d’água.
E ali aprendi muita coisa, e foi onde conheci minha pombogira dona Cigana Sete Saias, que desde sempre me acompanhou.
Conforme passou o tempo, comecei a ver coisas erradas ali dentro… Tudo começou quando fizeram um trabalho para uma pessoa perder o emprego que eu participei a contra gosto. Pensei que esse era um caso isolado e dei uma nova chance ao lugar.
Ledo engano. Logo em seguida, um novo trabalho, dessa vez para afastar amigos do marido para ele não ter paz fora de casa…. Quando vi aquele trabalho, pensei comigo: “teve a primeira chance, eu perdoei, fez errado a segunda vez…. Não vai existir terceira vez!”
E combinaram de fazer um trabalho para que um marido ficasse impotente e perdesse tudo enquanto não voltasse pra esposa.
E nesse momento eu senti muito medo e rezei. Rezei pra minha pombogira me ajudar a sair daquela situação, me mostrar um caminho!
Era óbvio que aquelas pessoas iam se vingar de mim assim que eu virasse as costas pra eles.
E então a dona moça apareceu: vestida de saias coloridas, pulseiras de ouro, um olhar carinhoso mas triste… E disse:
— Se você quer sair, você sai. Eu aguento o tranco das demandas que vão te mandar. Mas com uma condição: vc vai procurar outras casas, e aquela que eu escolher, vc vai ter que ficar e ponto final, sem discussão.
Eu aceitei e depois daquela gira nunca mais entrei em contato com aquelas pessoas.
Mas fiquei sabendo que a mãe disse que eu havia “roubado” os guias da casa dela e que desde então ela não conseguia mais trabalhar e iria se vingar de mim. Exatamente como a dona Cigana Sete Saias previu.
E assim eu peregrinei por outros terreiros, na certeza que quando chegasse no lugar certo, minha moça me diria.
E por um viés do destino, encontro uma amiga do ginásio que diz que vai a um lugar “super legal” e me leva até lá.
Era a Casa de São Lázaro. Eu comecei a frequentar como assistido, já fui chamado pra corrente ainda como “café com leite”, e logo no começo numa festa de esquerda ela se manisfestou, que tinha feito sua escolha pelo São Lázaro e selou nosso acordo.
Estava feita a escolha dela, e desde então nunca mais fui a outro terreiro.
Se já quis desistir? Muitas vezes!!! Brigas, fofocas, gente pretensiosa, disputas de poder, gente com frouxidão moral e o pior: pessoas com atitudes viciosas tentando me desencaminhar de todo jeito…
Mas também conheci muita gente com coração de ouro, disposta a fazer de tudo pela prática do bem e da caridade. Gente que se doa de verdade e que acredita na diferença que o bem faz no mundo.
Ali conheci o pior e o melhor do ser humano dentro da casa espírita.
E assim aprendi a ser forte frente ao que não presta, selecionar quem se afiniza comigo e focar no meu objetivo: exercitar a máxima “fora da caridade não há salvação”.
E assim meu caminho está traçado junto ao Círculo de Irradiações Espirituais São Lázaro, que foi escolhido pela minha moça e com o qual eu tenho todo compromisso.
Segui minha parte no acordo e sigo protegido por minha pombogira em todos momentos!

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Cleber Quichimbí

Cleber 38 anos, filho de Oxalá... Idealista e emotivo. Metódico. Estudioso. Qualquer brinquedo é motivo para ser montado e desmontado. Este é seu maior desafio na vida: entender como as coisas funcionam nos mínimos detalhes.

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