Bate cabeça, filho de Umbanda!

“Eu fui no terreiro um dia. senho Ogum mandou
 Eu fui bater cabeça aos pés de Nosso Senhor…”

É das primeiras coisas que se aprende quando se passa a fazer parte da corrente, quando o médium se torna, enfim, um filho daquela casa, daquele sacerdote, um filho de Umbanda. Bater cabeça é um ato sagrado de respeito e refazimento.

Bater cabeça, antes de tudo, é uma saudação respeitosa. Recebemos esta tradição dos nossos irmãos africanos, por meio dos cultos de nação, que trazem esta saudação para o lado sagrado.

Para diversos povos africanos, bater cabeça era – e é ainda, em alguns locais – uma forma de saudar os mais velhos, os mais sábios, os reis e rainhas, sacerdotes, heróis e todos aqueles a quem se pretendia ou deveria render homenagens. Ajoelhar-se e tocar o chão com a testa e o peito desnudo é oferecer a alguém uma honraria, reconhecer suas qualidades, sua força, sua experiência, e mostrar-se grato por estar em sua presença.

Dada tamanha importância de se bater cabeça, naturalmente passou a estar presente também no culto ao sagrado e aos Pais e Mães Orixás, até adquirir a forma que hoje tem tanto nos Cultos de Nação, quanto na Umbanda e em todas as religiões que compartilham da matriz africana ou que, de algum modo, incorporaram este ato à sua liturgia.

Dentro da gira de Umbanda, bater cabeça tem diversos significados e funções. O primeiro deles é o respeito e a reverência, carinhosa e grata, com quem veio antes, com quem sabe mais, com quem cuida.

Os Filhos de Santo batem cabeça para o seu Pai ou Mãe, ou seja, os reverenciam com este ato, bem como os Pais e Mães, e todos no terreiro, batem cabeça aos Guias e aos Orixás, como forma de agradecimento, respeito e amor por sua presença.

Esta presença do sagrado no terreiro de Umbanda é corporificada em diversos elementos, sendo um deles, senão o mais importante, o Congá – ou Gongá, ou simplesmente Altar, dependendo da tradição – um elemento condensador e expansor de energias, que reúne, em si, todas as energias trabalhadas na casa, e é um verdadeiro portal, um fontanário de energias puras e benditas que vem em benefício dos médiuns e da assistência.

Todos batem cabeça no Congá, tanto para saudarem e agradecerem a toda a egrégora daquele terreiro, quanto para nutrirem-se daquela energias – e eventualmente desfazerem-se de energias pesadas – e recarregarem seus corpos e refazerem suas energias mediúnicas.

Energeticamente, o ato de bater cabeça alinha os chakras e banha cada um com as energias de que ele necessita para se manter em sua vibração e rotação corretas, mantendo um fluxo corrento da energia durante todo o trabalho mediúnico. É também uma forma de nutrir-se do axé da terra, a energia mais primal e que é essencial para a firmeza de todo médium, dentro e fora do terreiro.

Além disso, ao bater cabeça, o médium repete um ato que vem sendo praticado por séculos, quiçá milênios, um ato que está gravado, decretado e sacramentado perante o Universo e os Orixás como sendo um ato sagrado, um ato de profunda fé, devoção, gratidão e harmonia com a energia de Deus e dos nossos amados Orixás.

Bater cabeça é respeito, é devoção, é harmonia com a corrente, é união como sagrado, é respeito e gratidão pela presença da assistência. Bater cabeça é a expressão do amor ao servir à causa da Umbanda.

Bate cabeça, filho de Umbanda!

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